Costumava falar que se alguém desejasse viver num mundo angelical seria pré-requisito tornar-se, antes, um anjo, pois pela Lei da Atração estaremos sempre vivendo onde nosso patamar vibracional seja compatível.
Recentemente vivi uma experiência que me levou a ampliar meu conceito sobre a natureza angelical, ou seja, sobre a qualidade e condição dos anjos. Trafegava com meu automóvel por uma rodovia federal de muito movimento e adentrei à outra, também federal, mas de menor movimento. Na primeira a velocidade máxima permitida é de 110 km/h, na segunda 60 km/h.
Cinco minutos depois de mudar de rota meu carro parou subitamente. Um susto.
Um automóvel que vinha na sequência conseguiu desviar do meu e parar numa faixa lateral onde não havia nenhum veículo transitando.
O motorista, transtornado pela situação, parou ao meu lado e bradava impropérios contra mim, julgando que eu havia parado o automóvel propositadamente.
Tão logo ele saiu do meu lado, acionei o motor, que respondeu com pouca força, mas o suficiente para me deslocar e estacionar na tal pista lateral, onde o homem me insultara.
Imediatamente outro automóvel estacionou atrás do meu e o motorista veio falar comigo oferecendo ajuda. Havia no seu semblante uma expressão bastante amigável. Seus olhos expressavam serenidade e seu sorriso uma generosidade que me surpreendeu, pois eu não o conhecia. Ele insistia em me ajudar e até ofereceu abrigo para mim e minha esposa em seu galpão de trabalho que distava cerca de 100m dali. Exsudava dele uma energia de amorosidade e serenidade que me impressionou.
Disse-lhe que possuía seguro contra acidentes para o carro e que a seguradora me enviaria um carro guincho para deslocar meu automóvel para uma oficina.
Enquanto isso minha esposa telefonava para nossa filha vir em nosso socorro.
Ele disse que ficaria ainda mais um pouco para nos dar proteção, pois temia pelo fluxo de veículos que transitavam pela rodovia.
Quando lhe confirmei que a companhia seguradora me avisou que já havia contatado o guincho ele, então, se despediu insistindo em oferecer abrigo para nós dois.
Assim que ele saiu um carro guincho estacionou em seu lugar.
Novamente um motorista com expressão facial que me surpreendeu, olhos brilhantes e sorriso amplo, davam-me a sensação de não estar só naquele momento assustador. A mesma energia de serenidade.
Ajudou-me colocando o triângulo veicular na distância certa e permaneceu por alguns minutos conversando comigo e em seguida partiu.
Poucos minutos depois chegaram, juntos, o guincho locado pela seguradora e nossa filha em seu automóvel.
Minha esposa foi com ela para o destino o qual estávamos seguindo e após o carro estar seguro sobre o caminhão, voltei a Florianópolis, onde moro, na cabine com o motorista, para deixar o automóvel na oficina que eu já havia contatado para efetuar o conserto do motor.
Ali, mais calmo, pude refazer em pensamento o acontecido.
Se o carro tivesse parado cinco minutos antes eu ainda estaria na rodovia principal a 100 km/h e não estaria agora escrevendo este texto, pois numa rodovia com muitos veículos transitando em alta velocidade, um acidente fatal seria inevitável: ou por capotamento ou por violenta colisão com diversos veículos.
Lembrei que o trecho onde o automóvel parou era início de uma enorme rotatória que fora construída para cruzar em plano superior a uma outra rodovia federal.
Exatamente onde parei havia uma pista lateral de uns cinquenta metros de comprimento que dava acessos de entrada e saída ao plano inferior da rotatória, portanto com largura suficiente para que o carro que me seguia pudesse desviar. Poucos metros após, ele não teria essa alternativa e um acidente seria inevitável.
Pareceu-me que o local para o distúrbio no motor do automóvel fora calculado com precisão, mas por quem?
Certamente por meus anjos de guarda pensei, que creio me acompanham e amparam quando necessário. Mas, e os dois motoristas que vieram em meu socorro?
Aquela sensação que me causaram? Seriam também anjos de guarda?
Fiquei pensando que, talvez, anjos não se encontram somente em planos espirituais, mas também se encontram encarnados e socorrendo, quando necessário, com suporte energético compatível com nosso plano existencial.
E continuei pensando....
Quantas vezes em nossas vidas fomos socorridos, ou tivemos a atenção desviada que nos evitaram acidentes, por pessoas que não conhecíamos? Anjos encarnados?
Pois agora meu conceito de angelitude mudou. Creio firmemente que eles estão entre nós e não só nos planos superiores, mas também aqui e agora.
E nós seríamos, também, um deles?
Como são nossas atitudes em relação ao próximo?
Estamos atentos aos que nos cercam, tanto na família como em geral?
Creio que vale a pena refletir.
Adilson Maestri
