aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
Segundo Allan Kardec, a passagem do Ser Espiritual
pelas encarnações é uma necessidade, que tem como objetivo levar o espírito à
perfeição, onde todos são criados simples e ignorantes e se instruem através
das lutas e atribulações da vida corporal e, ao mesmo tempo, cumprem sua parte na obra da criação.
De acordo com Altair F. Cunha, nessa linha de
raciocínio se encontra uma lógica para o problema do ser, da dor e para o
paradoxo do Suicídio. Assim, mesmo que o ser humano sofra desarmonias, não há
um determinismo ao suicídio, mesmo que haja tendência, a escolha é individual
de sucumbir ou não a ele.
Jamais devemos confundir sujeição do indivíduo ao
erro com determinismo ao erro. A sujeição é resultado da própria imperfeição,
característica do atual estágio de evolução do homem, seria uma tendência ao
erro, com a possibilidade de superação de acordo com o uso do seu livre
arbítrio. Já o determinismo seria uma submissão inevitável ao erro.
Na ótica espírita, o suicida é um Espírito imortal,
que teve outras oportunidades reencarnatórias, onde - por meio de transgressões
às leis da vida - gravou em seu perispírito as desarmonias que hoje o
atormentam. Assim, tem em si fatores predisponentes (matrizes), que quando não
se encontra amparado pelas ações fortalecedoras (fé, caridade, oração,
perdão...) acabam sendo desencadeantes para depressões e obsessões que podem
resultar em suicídio. No entanto, o suicídio é sempre um desvio de rota, jamais
um programa existencial.
Segundo Richard Simonetti, o perispírito é molde da
forma física. Se há desajustes nele devido ao suicídio, o corpo físico será
plasmado com alterações variadas, de acordo com a agressão que o indivíduo
cometeu contra si mesmo. Cunha, explica que o espírito ao reencarnar, com a
mente em desalinho, gera um campo de força específico que atrai os componentes
genéticos mais adequados para a sua experiência.
Cunha, afirma que a maioria das pessoas que ameaçam
suicidar-se são suicidas em potencial, indo contra o senso comum que apregoa
que quem diz que vai se matar não o fará. Ou, aquele velho ditado: Cão que
ladre não morde!
O suicídio cria refolhos no ser, predisposições à
repetição do ato. Por isso, é muito comum a tendência ao suicídio num Espírito
que já foi suicida. Assim, por prudência, em casos reincidentes, onde o efeito
da culpa poderia se prolongar indefinidamente é planejada uma reencarnação
reparadora, normalmente curta, com o intuito de amortecer as desarmonias
vibratórias, voltando o espírito ao plano espiritual mais aliviado dos dramas
conscienciais, para preparar-se para novos empreendimentos na carne.
É importante pontuar que os espíritos reencarnam em
grupos afins, por isso, não é raro encontrar em algumas famílias uma tendência
familiar ao suicídio. Pois o grupo se reúne em ambiente familiar buscando um
resgate conjunto.
Vale esclarecer que, embora a ciência desconheça,
para o Espiritismo existe um fator considerado um dos mais importantes na
sucessão e concretização das ideias suicidas – a obsessão. Que seria a
influência perniciosa que certos Espíritos desencarnados exercem sobre os
encarnados.
Todo espírito, encarnado ou não, possui livre
arbítrio, se tornando assim responsável pelo que acatar das sugestões
oferecidas por entidades espirituais. Essas influências podem ser boas ou más,
de acordo com o nível de esclarecimento do Espírito que as provocam, da mesma
forma que há indutores de ideação suicida há auxiliadores de sugestões
positiva.
A vida é um patrimônio individual, entretanto,
devido à interdependência através da qual é gerada e perpetuada, torna-se um
patrimônio coletivo. Dessa forma, suicidar-se não é apenas um fenômeno de
autodestruição, mas, sim, de destruição de esperanças e causa de muitos
sofrimentos aos familiares, amigos e outros que de forma direta e indireta se
vinculam ao suicida.
De acordo com Cunha, suicídio, na ótica espírita,
não é apenas o gesto precipitado de autodestruição realizado por alguém
aturdido de suas provações ou pela loucura. Sempre que alguém, através dos
excessos e precipitação, provoca desequilíbrios e desgaste físico e mental em
si mesmo, será reconhecido como suicida. Assim, conclui-se que os chamados
suicidas diretos são a minoria, comparados a outros, denominados suicidas
indiretos. Porém, vale ressaltar que os resgates são proporcionais à
consciência que se tem dos erros cometidos. Suicídio é uma grave enfermidade do
Espírito, podendo ser estimulado por fatores externos.
É comum no meio espírita o pensamento de que todo
suicida permanecerá em sofrimento em regiões sombrias, como o Vale dos
Suicidas, até que complete o tempo que teria no corpo físico. Não se pode
generalizar, pois sempre existirão agravantes e atenuantes. Entretanto, através
de revelações dos mentores espirituais, o sofrimento do suicida é superior a
qualquer sofrimento que ele tenha experimentado enquanto encarnado. Quanto
maior o esclarecimento e a consciência do erro cometido, maior será o
sofrimento.
Para entender os motivos do sofrimento do suicida é
importante se ter claro que o homem é um composto formado por: espírito,
perispírito e corpo físico. O corpo físico é transitório e entra em
decomposição algumas horas após o desencarne. Mas o perispírito do suicida, por
ter antecipado o seu retorno, entra no plano espiritual impregnado de
vitalidade. Sendo ele um corpo intermediário (fluídico), que acompanha o
espírito, registra todas as impressões, boas e más advindas do corpo físico.
Neste caso, poderá registrar o processo após a morte do corpo.
Simonetti esclarece que os suicidas não perderam a
filiação divina, nem estão confinados eternamente em regiões infernais. Deus
faz-se presente, representado por mensageiros do Bem que observam e amparam,
ainda que, em sua confusão mental e nos tormentos que os afligem, não conseguem
ter consciência dessa aproximação.
Segundo Cunha, o suicídio é o maior equívoco que
alguém pode cometer. A falta de conhecimento da imortalidade da alma e a falta
de fé são fatores complicadores. A vida continua após o estágio no corpo
físico. Cada desencarnado acordará no plano espiritual com suas virtudes e
vícios, essa é a grande decepção sofrida pelos que ingressaram no Mundo
Espiritual pelo suicídio.
De acordo com Simonetti, quem estuda a Doutrina
Espírita e cultiva a reflexão em torno de seus princípios, dificilmente
colocaria fim à vida, pois tem consciência de que as atribulações existenciais
apresentam-se como uma oportunidade de resgate, um reajuste diante das leis
divinas, com vistas a um futuro melhor. O suicídio seria uma fuga dos problemas
considerados insuportáveis.
Segundo Cunha, a calma, a resignação e a confiança
no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a
loucura e o suicídio. Simonetti afirma que a mudança de atitude corrige
desarmonias vibratórias que poderão refletir no composto celular em forma de
cura. Sempre chega o momento de mudar, a partir do próprio indivíduo, ansioso
por libertar-se de seus condicionamentos.
Elizângela Rodrigues Mota
Fontes Consultadas:
BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral, São Paulo: Ave Maria, 1959.









