A simplicidade é uma marca incontestável na descrição da realidade. Quanto mais elaborado, mais romanceado o relato, menos crível.
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Quando a verdade se impõe
A simplicidade é uma marca incontestável na descrição da realidade. Quanto mais elaborado, mais romanceado o relato, menos crível.
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Temos Inimigos?
sábado, 27 de julho de 2019
Singularidade
Há poucos dias estava eu na Praça XV, no centro de
Florianópolis, esperando minha esposa que entrara num banco para provar que
estava viva para a Previdência Social, quando minha atenção focou numa moça dos
seus 25 anos que passava embrulhada num cobertor. Como o termômetro ali ao lado
acusava 20 graus, pensei tratar-se de uma moradora de rua.
Mas notei que ela estava bem vestida, penteada,
postura ereta e que o tal cobertor era bonito demais para ser um cobertor de
morador de rua. Dei-me conta que era uma manta peruana e que ela a usava não só
como agasalho, mas também para fazer um estilo tal que eu não saberia
identificar.
Na sequência, percebi que outros tipos “estranhos”
desfilavam pelo calçadão da Catedral Metropolitana e eu ali a observar a
diversidade de tipos humanos, cada qual com seu estilo próprio, uns
estereotipados e outros absolutamente originais, com seus estilos cunhados no
passar dos anos e pelas condições que a vida se lhes apresentou.
Estendi minha percepção para a humanidade e pus-me
a pensar na diversidade de tipos humanos que nós, que viemos para a Terra, nos
tornamos. E achei interessante constatar a maravilha que é a diversidade
humana.
Filhos de Deus e tal qual filhos de pais terrenos
somos todos diferentes. Não há dois seres humanos iguais, quer seja na
aparência, quer seja na alma.
Cada qual está neste momento vivendo um patamar
existencial resultante de todas as suas experiências pretéritas e que o torna
um ser único.
As ideologias, que pregam a igualdade entre os
homens, desconsideram essa realidade: nós não somos iguais e nem precisamos
ser. Precisamos ser nós mesmos. Vivemos, em cada experiência carnal imersos no
mundo que escolhemos viver, para aprender com as facilidades e dificuldades
dele decorrentes.
Os imensos conjuntos habitacionais construídos
pelos governos nas periferias das cidades me causam constrangimento. Como ter
casas iguais para pessoas diferentes? Como engenheiro, sempre primei por
projetar casas que retratassem a personalidade de cada proprietário e me foi
comum ouvir “essa é a casa dos meus sonhos”.
Lembrei das imagens que vinham da China, no período
de Mao Tsé Tung, com o chineses todos vestidos com a mesma bata azul, como se
fosse um rebanho humano. A sensação que me causa, ainda, uma imagem dessas, é
de que aqueles seres não tinham identidade, eram números, gado humano.
A diversidade que eu observava ali na praça era
muito mais humana, mais real, mais vibrante e eu sentia como mais autêntica e
desejável para a experiência humana na Terra.
Sou cristão e aprendi que o julgamento é uma
atitude cruel para com outros, pois pressupõe sabermos qual é a condição ideal
de vida dos outros.
A beleza humana está justamente na singularidade
que somos, na diversidade das formas, saberes e dons.
Nosso livre arbítrio além de permitir que cada ser
se expresse, apresente-se ao mundo tal qual a sua natureza, ainda nos
possibilita ser inspiração para que outros cresçam e tragam ao mundo suas
contribuições à grande obra da existência.
Somos uma constelação a emanar nossas luzes para o
Universo, tal qual a diversidade de flores que encontramos na natureza, cada
qual com sua forma, cor e perfume. A natureza nas florestas nos mostra
claramente como a vida pulsa na diversidade dos tipos e formas, o verdadeiro
Jardim do Éden, onde todas as plantas e animais convivem em harmonia, havendo
espaço e condições de vida e progresso para todos.
A monocromia é insossa, entediante e sem graça. A
padronização, igualmente rouba a beleza da originalidade.
Ama o próximo como a ti mesmo, disse o Mestre. Isso nos leva a entender que precisamos nos conhecer profundamente para entender quem somos, qual nossa contribuição à humanidade e qual a razão de estarmos aqui e agora, qual nossa luz, nossa força.
Adilson Maestri



