quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Culpa


Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústia, está um sentimento, que é o sentimento de culpa. 
O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: "Não deveria..."
A culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base para a autotortura. Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra.
Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o Juiz e o Eu real, concreto, humano, é o Réu. 
O Eu ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas.
Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. 
Como o pensamento nos exige algo impossível, nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo. 
Este é um ponto fundamental. Muitas pessoas dedicam a sua vida a tentar realizar a concepção do que elas devem ser, em vez de se realizarem a si mesmas. 
Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de Culpa.
Os erros dos quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos. A lista de nossos "pecados" no confessionário é sempre a mesma.
Mas aquilo que nos leva a esse sentimento de culpa, aquilo que alimenta esta nossa doença autodestrutiva são algumas crenças falsas.
A primeira delas é a crença na possibilidade da perfeição. Quem acredita que é possível ser perfeito, quem acha que está no mundo para ser perfeito, quem acha que deve procurar na sua vida a perfeição, viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa.
A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro; vem do nosso conceito relativo ao erro, vem da nossa raiva por termos errado.
O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão.
As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa.
Assumir o erro é aceitar que erramos, é nos responsabilizarmos pelo que fizemos ou deixamos de fazer, mas quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro, tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros, numa tentativa infrutífera de acabar com a nossa culpa.
Quando dermos ouvidos aos nossos erros, ao invés de nos lamentar por dentro, teremos crescido.
Amigo, não tenha medo de erros, erros não são pecados, erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova. 
Amigo, não fique aborrecido por seus erros, alegre-se por eles, você teve a coragem de dar algo de si.
Original: Antônio Roberto Soares
Edição: Adilson Maestri

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Pessoas Sensíveis

Nenhum de nós pode escolher as coisas que nos acontecem, algumas boas, outras más, mas todos nós podemos escolher nossa resposta às coisas que nos acontecem. Você não é prisioneiro das reações. 
Algumas pessoas dizem que são muito "sensíveis", que se magoam facilmente, que se decepcionam com amigos, colegas e família e com aquilo que outros dizem ou fazem. Tais pessoas, que se dizem "muito sensíveis" na verdade não têm muita sensibilidade. 
Pessoas sensíveis (por definição) são capazes de obter uma gama maior de informações sensoriais e emocionais vindas de outros e, portanto, geralmente são muito mais compreensivas, calmas e raramente se desapontam com os comportamentos alheios, exatamente porque sua sensibilidade aguçada mostra mais do que as aparências, evitando que se desapontem. Além disso, pessoas sensíveis jamais dizem que são sensíveis. 
Então o que são aquelas pessoas que a todo momento se definem como sensíveis, que ficam deprimidas por razões aparentemente pequenas e cujos dias são destruídos por uma advertência do chefe, por uma crítica dos colegas, por uma frase mal construída de um membro da família? 
Elas não são sensíveis? 
Não. 
Tais pessoas são reativas - o contrário de sensíveis. Pessoas reativas não pensam. Ou melhor, pensam que pensam, quando somente reagem emocionalmente a qualquer coisa, sem refletir, sem controlar,
sem observar o todo, como crianças. 
Todos nós somos reativos, vez ou outra, mas conforme amadurecemos nos tornamos menos reativos e mais sensíveis,
já que escolhemos nossas respostas. 
Quando somos crianças, simplesmente reagimos (o que é natural), por isso adultos reativos são, normalmente, acusados de um comportamento infantil e birrento. 
Uma pessoa sensível (por obter mais informações que estão à sua volta) raramente perde o controle, mesmo quando atacada porque, sendo sensí
vel, ela observa e escolhe a melhor resposta. 
Raramente reage, como um animal faminto faria. Você não tem o poder de escolher aquilo que te acontecerá hoje, amanhã ou depois. Mas você tem o poder
de escolher a melhor resposta a tudo o que vai acontecer. Resposta não é reação. 
Reação é sinônimo de programa automático. Resposta é sinônimo de escolha. 
Seja mais sensível, esta semana, evitando dizer a primeira coisa que lhe venha à mente, mesmo que seja algo que você diz p
ara você mesmo. 
Escolha as palavras, escolha os pensamentos, escolha as respostas, fugindo da armadilha que torna a vida das pessoas reativas sempre dependente de cada problema que acontece. 
E observe aqueles que dizem que são "sensíveis". Olhe o comportamento dessas pessoas. Você verá que elas são completamente dependentes dos humores de outros e dos acontecimentos externos. Elas simplesmente reagem por mais que racionalizem e se enganem, afirmando que suas reações são causadas por sua suposta sensibilidade. Sempre apresentarão razões para suas dores e tristezas, mas ainda assim estarão somente reagindo. 
Você tem o poder de escolher aquilo que é melhor. Você pode! 


(autor desconhecido)

domingo, 29 de janeiro de 2017

A Partícula e o Todo


A idéia da luta pela vida é um conceito que tem por base que viver é uma guerra que você precisa vencer ou será vencido.
Há uma idéia de vitória e derrota, quando viver deveria ser um desfrutar de algo que elegemos ser.
Viver na Terra não é compulsório é eletivo. Não fomos empurrados para o plano tridimensional por obrigação ou castigo. Viemos porque quisemos, porque nos interessava uma experiência carnal, com objetivos precisos.
Portanto precisamos olhar para a vida como um presente do Universo que conquistamos como consequência de um forte desejo.
A vida no plano tridimensional não é a única que possuímos, é apenas uma forma de existir conscientemente no Universo que conhecemos desse ponto de vista.
Encarnado ou não continuamos vivos o que derruba a fixação da luta pela vida.
Precisamos aprender o significado de estar aqui na Terra agora.
Para que nos serve essa experiência?
Os ensinamentos do Nazareno nos dão conta que viver é uma oportunidade de aperfeiçoarmos nossa capacidade de amar. Entendendo como amar o fazer fluir por nosso campo vibracional a energia que emana do centro do Universo.
Somos, portanto, parte dessa engrenagem que chamamos de Universo, somos partículas formadoras dessa obra que não temos condições de conceber sua totalidade, pois acreditamos que o universo é infinito.
Sendo partícula de algo que é infinito só nos cabe aprender a perceber o infinito a partir da compreensão de como funciona essa partícula.
Será o todo resultado do movimento de cada partícula?
Se todas as partículas têm o mesmo comportamento o todo ficará facilmente identificado, mas se cada partícula tiver seu movimento próprio o todo é o caos.
Considerando que o Universo tem uma ordem, tem leis imutáveis, então podemos inferir que a ordem é inversa, ou seja, o movimento das partículas é influenciado pelo movimento do todo.
Como fica o livre arbítrio?
Se você aceita o impulso do Universo e dança conforme a música, você segue em harmonia com as Leis Universais, se você decide que sua música é outra, você dança de acordo com sua música e provavelmente esbarrará nos outros dançarinos, pois seus movimentos estarão em descompasso com os demais.
Esse esbarrar nos outros comensais dessa festa, acaba nos mostrando que estamos na contramão, que estamos lutando contra a Ordem Universal.
Aí sim, viver é uma luta constante.
Quando acompanhamos os movimentos ditados pelo todo, viver torna-se uma festa, uma alegria constante.
Mas como perceber a ordem?
Descubra sua pulsação interna, ponha-a em harmonia com a da Terra, já nos ensinavam os povos autóctones das Américas.

O pulsar da partícula está em consonância com o pulsar do Universo.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Se o Amanhã Não Vier


Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir 
Eu aconchegaria você mais apertado, 
E rogaria ao senhor que protegesse você. 
Se eu soubesse que essa seria a última vez que veria você sair pela porta, 
Eu abraçaria, beijaria você, e chamaria de volta, 
Para abraçar e beijar uma vez mais. 
Se eu soubesse que essa seria a última vez que ouviria sua voz em oração, 
Eu filmaria cada gesto, cada palavra sua, 
Para que eu pudesse ver e ouvir de novo, dia após dia. 
Se eu soubesse que essa seria a última vez, 
Eu gastaria um minuto extra ou dois, para parar e dizer: EU TE AMO 
Ao invés de assumir que você já sabe disso. 
Se eu soubesse que essa seria a última vez, 
Eu estaria ao seu lado, partilhando do seu dia, ao invés de pensar: 
'Bem, tenho certeza que outras oportunidades virão, então eu posso deixar passar esse dia.' 
É claro que haverá um amanhã para se fazer uma revisão, 
E nós teríamos uma segunda chance para fazer as coisas de maneira correta. 
É claro que haverá outro dia para dizermos um para o outro: 'EU TE AMO', 
E certamente haverá uma nova chance de dizermos um para o outro: 
'Posso te ajudar em alguma coisa?' 
Mas no caso de eu estar errado, e hoje ser o último dia que temos, 
Eu gostaria de dizer 
O QUANTO EU AMO VOCÊ, 
E espero que nunca esqueçamos disso. 
O dia de amanhã não esta prometido para ninguém, jovem ou velho, 
E hoje pode ser sua última chance de segurar bem apertado, a mão da pessoa que você ama. 
Se você está esperando pelo amanhã, porque não fazer hoje? 
Porque se o amanhã não vier, você com certeza se arrependerá pelo resto de sua vida, 
De não ter gasto aquele tempo extra num sorriso, num abraço, num beijo, 
Porque você estava 'muito ocupado' para dar para aquela pessoa, aquilo 
que acabou sendo o último desejo que ela queria. 
Então, abrace seu amado, a sua amada HOJE. 
Bem apertado. 
Sussurre nos seus ouvidos, dizendo o quanto o ama e o quanto o quer junto de você. 
Gaste um tempo para dizer: 
'Me desculpe' 
'Por favor' 
'Me perdoe' 
'Obrigado' 
ou ainda: 
'Não foi nada' 
'Está tudo bem'. 
Porque, se o amanhã jamais chegar, você não terá que se arrepender pelo dia de hoje. 
Pois o passado não volta, e o futuro talvez não chegue.
(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A Felicidade anda por aí.


Dizem que a vida é curta, mas não é verdade.
A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades.
E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança tranqüila brincando de esconde-esconde.
Infelizmente às vezes não percebemos isso e passamos nossa existência
colecionando nãos: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.
A vida é mais emocionante quando se é ator e não expectador,
quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria.
E como ela é feita de instantes, não pode nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos.
Esta mensagem é um tributo ao tempo.
Tanto aquele tempo que você soube aproveitar no passado quanto aquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro.
Porque a vida é agora. Não tenha medo do futuro, apenas lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou.
A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.

Dalai Lama

A Tenacidade

A tenacidade é um atributo dos fortes. 
Não espere uma grande revelação, um acontecimento pomposo, cinematográfico, para entender o caminho a seguir.
Observe onde há ganho e perda de energia.
Comande seu processo, há muitos seres ao seu redor para ajudá-lo.
Compete a você comandar o processo.
Use a inteligência e a intuição para realizar seu trabalho de maneira conveniente.
Repasse informações, mostre caminhos, ensine aos que o rodeiam a seguirem com seus próprios pés.
Compreenda que somos todos unidades independentes, não devemos sofrer pelos dramas dos outros.
Devemos ser solidários, atenciosos, amigos, mas precisamos deixar que cada um viva intensamente seus próprios dramas.
São esses dramas que nos ensinam a voltar para casa, a retornar ao nosso interior, onde se guarda todo o conhecimento.
Essa centelha divina que nos dá vida contém tudo o que precisamos saber. Não pergunte aos outros, pergunte a si mesmo o que fazer, como fazer, onde fazer.
O que os seres que o acompanham podem ensinar, é o que eles percebem que está aflorando em sua consciência.
Ajude a trazer à tona o que você mesmo já sabe. Por isso ser frequente a sensação de que você já sabia do relatado.
Estude, pois ao contatar com novas ideias será mais fácil identificar suas próprias ideias, confrontá-las e sentir onde está a verdade. Nunca esquecendo que a verdade é relativa. A verdade existe para determinadas circunstâncias em determinado nível de consciência.
Por isso cada qual com sua verdade, situação que devemos sempre respeitar e aceitar.
A verdade é evolutiva, mutante. À medida que caminhamos a verdade se alarga e se modifica, pois, ao se ampliar surge uma nova configuração.
Vasos se quebram, verdades mudam, evoluem.
Não fixe ideias, conceitos, nem lugar, tudo é mutante. 
O desenrolar dos acontecimentos poderá levá-lo para outro lugar, mais apropriado para o novo momento. Portanto, não se prenda a ideias fixas e deixe-se levar pelos sinais de seu coração.
Adilson Maestri 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Tudo que chega é bom

Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa... nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor.
Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida... dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.
Não se apavore com as doenças... elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta.
O Universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas...
Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina.
Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou.
Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.
Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada.
Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.
E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.
Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR.
Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas.
Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz... Não existem as distâncias físicas.
A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo.
É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso.
O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe.
André Luiz

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sobre a Lei




Jesus disse: Eu não vim destruir a Lei.
Nada que Jesus falou contraria a Lei de Deus, mas tão somente a corrobora.
A explicou com parábolas e insistiu para que entendêssemos que nós todos viemos de Deus e para Ele voltaremos.
Comparando um planeta com a humanidade vemos que, antes de possuir a beleza plástica e energética que tem hoje, o planeta Terra passou por transformações causadas por erupções. Foi preciso colocar para fora muito material aquecido no seu interior, derramar sobre toda a superfície a lava derretida nas profundezas do planeta até chegar à configuração que vemos agora, com mares e montanhas formando uma paisagem belíssima, paradisíaca em quase toda a superfície.
Junto dessa paisagem nasceu e cresceu toda a fauna e flora exuberante.
O homem também para atingir a beleza física e emocional que possui hoje passou por muitas transformações. O físico melhorou muito, desde o surgimento do homo sapiens até agora, mas sua consciência ainda ferve em seu interior procurando espaço para se manifestar externamente.
Na busca por compreender o que somos, olhamos a nossa volta e queremos entender tudo o que existe, queremos compreender o que seja Deus, mas não sabemos que Ele está muito próximo de nós, na verdade em tudo o que somos: corpo, mente e espírito.
As religiões, criadas para ajudar e também para controlar os homens, criaram figuras antropomórficas para Deus.
Dizem que somos feitos à imagem e semelhança de Deus, mas descrevem Deus com atributos humanos, não só nas formas masculina e feminina, mas também com atributos do caráter humano.
Esse Deus criado pelas religiões, ama e odeia, julga e castiga, tem acessos de cólera e de compaixão. Mas João escreveu que Jesus disse que Deus é amor.
É nessa definição que ancoro meu pensamento.
Deus então não é um velhinho de barba branca sentado num trono, Deus é o amor e assim sendo não tem forma, nem desejos, nem paixões, é pura emanação amorosa, pura energia.
E emanando seu amor criou tudo o que existe e esse processo, sem diferenciação do que seja belo ou feio – esse julgamento cabe tão somente a nós humanos - segue rigorosamente a Lei que deriva desse ato. Podemos, então conhecer Deus observando a sua Lei em ação e dizer que Deus é a Lei.
Já na antiguidade de nossa civilização, os observadores já compreendiam que no movimento do Universo evidenciam-se as Leis Universais que a tudo criam e regem.
Quando estamos vivendo em harmonia com a Lei, ou seja, vivendo com Deus em nossos pensamentos e ações, vivemos em alegria, em harmonia e em estado saudável.
Quando damos vazão ao ego e vivemos somente para satisfazer os desejos do corpo, então entramos em dissintonia com as Leis Universais, ou seja, sem Deus e passamos a viver as agruras da vida material.
Nadando contra o fluxo natural vivemos em desarmonia com o Universo e então somos acometidos pela tristeza, insatisfação e conhecemos a doença.
Esse movimento é reversível, voltando nossos pensamentos para Deus, respeitando e nos inserindo na Lei, podemos encontrar o sagrado caminho de volta para casa. 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sobre a Liberdade


Com origem no latim libertas, a palavra liberdade também pode ser usada em sentido figurado, podendo ser sinônimo de ousadia, franqueza ou familiaridade.
Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter autonomia e espontaneidade. É um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter. Significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém.
A liberdade pode consistir na personificação de ideologias. Faz parte do lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", criado em 1793 para expressar valores defendidos pela Revolução Francesa, uma revolta que teve um impacto enorme nas sociedades contemporâneas e nos sistemas políticos da atualidade.
De acordo com a ética, a liberdade está relacionada com responsabilidade, uma vez que um indivíduo tem todo o direito de ter liberdade, desde que essa atitude não desrespeite ninguém, não passe por cima de princípios éticos e legais.
Segundo a filosofia, liberdade é o conjunto de direitos de cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do país em que reside; é o poder que qualquer cidadão tem de exercer a sua vontade dentro dos limites da lei.
Muitos filósofos discorreram sobre o assunto: para Descartes a liberdade é motivada pela decisão do próprio indivíduo, mas muitas vezes essa vontade depende de outros fatores, como dinheiro ou bens materiais; Kant diz que a liberdade é o livre arbítrio e não deve ser relacionado com as leis; para Sartre, a liberdade é a condição de vida do ser humano, o princípio do homem é ser livre.
Penso que essa liberdade só ocorre realmente, através do conhecimento das leis morais e não apenas pela própria vontade da pessoa.

Muitas vezes a expressão livre arbítrio, tem o mesmo significado que a expressão liberdade. No entanto, Santo Agostinho diferenciou claramente esses dois conceitos. O livre arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal; enquanto que a liberdade é o bom uso do livre arbítrio. Isso significa que nem sempre o homem é livre quando põe em uso o livre arbítrio, depende sempre de como usa essa característica. Assim, o livre arbítrio está mais relacionado com a vontade. Porém, uma distinção entre os dois é que a vontade é um ato ou ação, enquanto que o livre arbítrio é uma faculdade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Melhor Lugar


Qual o melhor lugar do mundo?

Penso em lugares paradisíacos onde já fui e gostaria de voltar: num determinado restaurante no Peru, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de amigos, numa pequena cidade italiana, na Serra do Rio do Rastro, no meio de um show dos Beatles, numa sala de cinema assistindo à qualquer filme de Ridley Scott e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – nossa intimidade é irreproduzível.
Posso também pensar nos lugares onde eu não gostaria de estar: um leito de hospital, uma fila de banco, uma reunião de condomínio, preso num elevador, em meio a um trânsito travado, numa cadeira de rodas.
E aí? Somando prós e contras, boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu sentimento é que esse lugar é dentro de um abraço.
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para um homem apaixonado, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o ruído do whatsapp e, se faltar luz, tanto melhor.
Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, esquecemo-nos em meio ao paraíso.
O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.
Que lugar no mundo é melhor para se estar? 
Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beira-mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?
Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? 
Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando no ano de 2016, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.
Baseado no artigo de Martha Medeiros

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Suicídio - O Grande Equívoco


Vinde a mim, vós todos os que estais 
aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. 
Tomai meu jugo sobre vós e receberei minha doutrina, 
porque eu sou manso e humilde de coração, 
e achareis repouso para as vossas almas. 
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11. 28-30) 

Segundo Allan Kardec, a passagem do Ser Espiritual pelas encarnações é uma necessidade, que tem como objetivo levar o espírito à perfeição, onde todos são criados simples e ignorantes e se instruem através das lutas e atribulações da vida corporal e, ao mesmo tempo, cumprem sua parte na obra da criação.
De acordo com Altair F. Cunha, nessa linha de raciocínio se encontra uma lógica para o problema do ser, da dor e para o paradoxo do Suicídio. Assim, mesmo que o ser humano sofra desarmonias, não há um determinismo ao suicídio, mesmo que haja tendência, a escolha é individual de sucumbir ou não a ele.
Jamais devemos confundir sujeição do indivíduo ao erro com determinismo ao erro. A sujeição é resultado da própria imperfeição, característica do atual estágio de evolução do homem, seria uma tendência ao erro, com a possibilidade de superação de acordo com o uso do seu livre arbítrio. Já o determinismo seria uma submissão inevitável ao erro.
Na ótica espírita, o suicida é um Espírito imortal, que teve outras oportunidades reencarnatórias, onde - por meio de transgressões às leis da vida - gravou em seu perispírito as desarmonias que hoje o atormentam. Assim, tem em si fatores predisponentes (matrizes), que quando não se encontra amparado pelas ações fortalecedoras (fé, caridade, oração, perdão...) acabam sendo desencadeantes para depressões e obsessões que podem resultar em suicídio. No entanto, o suicídio é sempre um desvio de rota, jamais um programa existencial.
Segundo Richard Simonetti, o perispírito é molde da forma física. Se há desajustes nele devido ao suicídio, o corpo físico será plasmado com alterações variadas, de acordo com a agressão que o indivíduo cometeu contra si mesmo. Cunha, explica que o espírito ao reencarnar, com a mente em desalinho, gera um campo de força específico que atrai os componentes genéticos mais adequados para a sua experiência.
Cunha, afirma que a maioria das pessoas que ameaçam suicidar-se são suicidas em potencial, indo contra o senso comum que apregoa que quem diz que vai se matar não o fará. Ou, aquele velho ditado: Cão que ladre não morde!
O suicídio cria refolhos no ser, predisposições à repetição do ato. Por isso, é muito comum a tendência ao suicídio num Espírito que já foi suicida. Assim, por prudência, em casos reincidentes, onde o efeito da culpa poderia se prolongar indefinidamente é planejada uma reencarnação reparadora, normalmente curta, com o intuito de amortecer as desarmonias vibratórias, voltando o espírito ao plano espiritual mais aliviado dos dramas conscienciais, para preparar-se para novos empreendimentos na carne.
É importante pontuar que os espíritos reencarnam em grupos afins, por isso, não é raro encontrar em algumas famílias uma tendência familiar ao suicídio. Pois o grupo se reúne em ambiente familiar buscando um resgate conjunto.
Vale esclarecer que, embora a ciência desconheça, para o Espiritismo existe um fator considerado um dos mais importantes na sucessão e concretização das ideias suicidas – a obsessão. Que seria a influência perniciosa que certos Espíritos desencarnados exercem sobre os encarnados.
Todo espírito, encarnado ou não, possui livre arbítrio, se tornando assim responsável pelo que acatar das sugestões oferecidas por entidades espirituais. Essas influências podem ser boas ou más, de acordo com o nível de esclarecimento do Espírito que as provocam, da mesma forma que há indutores de ideação suicida há auxiliadores de sugestões positiva.
A vida é um patrimônio individual, entretanto, devido à interdependência através da qual é gerada e perpetuada, torna-se um patrimônio coletivo. Dessa forma, suicidar-se não é apenas um fenômeno de autodestruição, mas, sim, de destruição de esperanças e causa de muitos sofrimentos aos familiares, amigos e outros que de forma direta e indireta se vinculam ao suicida.
De acordo com Cunha, suicídio, na ótica espírita, não é apenas o gesto precipitado de autodestruição realizado por alguém aturdido de suas provações ou pela loucura. Sempre que alguém, através dos excessos e precipitação, provoca desequilíbrios e desgaste físico e mental em si mesmo, será reconhecido como suicida. Assim, conclui-se que os chamados suicidas diretos são a minoria, comparados a outros, denominados suicidas indiretos. Porém, vale ressaltar que os resgates são proporcionais à consciência que se tem dos erros cometidos. Suicídio é uma grave enfermidade do Espírito, podendo ser estimulado por fatores externos.
É comum no meio espírita o pensamento de que todo suicida permanecerá em sofrimento em regiões sombrias, como o Vale dos Suicidas, até que complete o tempo que teria no corpo físico. Não se pode generalizar, pois sempre existirão agravantes e atenuantes. Entretanto, através de revelações dos mentores espirituais, o sofrimento do suicida é superior a qualquer sofrimento que ele tenha experimentado enquanto encarnado. Quanto maior o esclarecimento e a consciência do erro cometido, maior será o sofrimento.
Para entender os motivos do sofrimento do suicida é importante se ter claro que o homem é um composto formado por: espírito, perispírito e corpo físico. O corpo físico é transitório e entra em decomposição algumas horas após o desencarne. Mas o perispírito do suicida, por ter antecipado o seu retorno, entra no plano espiritual impregnado de vitalidade. Sendo ele um corpo intermediário (fluídico), que acompanha o espírito, registra todas as impressões, boas e más advindas do corpo físico. Neste caso, poderá registrar o processo após a morte do corpo.
Simonetti esclarece que os suicidas não perderam a filiação divina, nem estão confinados eternamente em regiões infernais. Deus faz-se presente, representado por mensageiros do Bem que observam e amparam, ainda que, em sua confusão mental e nos tormentos que os afligem, não conseguem ter consciência dessa aproximação.
Segundo Cunha, o suicídio é o maior equívoco que alguém pode cometer. A falta de conhecimento da imortalidade da alma e a falta de fé são fatores complicadores. A vida continua após o estágio no corpo físico. Cada desencarnado acordará no plano espiritual com suas virtudes e vícios, essa é a grande decepção sofrida pelos que ingressaram no Mundo Espiritual pelo suicídio.
De acordo com Simonetti, quem estuda a Doutrina Espírita e cultiva a reflexão em torno de seus princípios, dificilmente colocaria fim à vida, pois tem consciência de que as atribulações existenciais apresentam-se como uma oportunidade de resgate, um reajuste diante das leis divinas, com vistas a um futuro melhor. O suicídio seria uma fuga dos problemas considerados insuportáveis.
Segundo Cunha, a calma, a resignação e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Simonetti afirma que a mudança de atitude corrige desarmonias vibratórias que poderão refletir no composto celular em forma de cura. Sempre chega o momento de mudar, a partir do próprio indivíduo, ansioso por libertar-se de seus condicionamentos.

Elizângela Rodrigues Mota

Graduanda em Psicologia

Fontes Consultadas:

BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral, São Paulo: Ave Maria, 1959.

CUNHA, F. Altair da. Um trágico equívoco: o suicídio e suas consequências conforme o Espiritismo.Matão, SP: O Clarim. 2010.

KARDEC, Allan. O livro do Espíritos. 178ª Araras, SP: IDE Editora, 2008.

SIMONETTI, Richard. Suicídio: Tudo o que você precisa saber. 6ª. ed. Bauru, SP: CEAC, 2012.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Atores e Personagens

Nossa vida diária pode ser comparada à atuação em uma peça teatral, novela ou filme. Absorvemo-nos tanto em nossos papéis temporários que nos esquecemos, por completo, de nossa verdadeira identidade fora de cena.
Algumas pessoas estão fazendo o papel de nossos pais, outras estão atuando como nossos amantes e outras como nossos amigos ou inimigos, mas, na verdade, tudo isso é interpretação; nossa verdadeira identidade é diferente.
Nosso corpo não é nada além de um figurino, mas, iludidos, identificamo-nos com ele e tentamos nos relacionar com o mundo com base nessa fantasia. Os relacionamentos resultantes não são falsos; são reais, mas são temporários e, portanto, ilusórios.
Quando o filme acaba – quando a morte se faz presente – todos os diferentes relacionamentos que cultivamos durante nossa vida estarão acabados, e nosso verdadeiro eu, o espírito individualmente consciente, será transferido para uma nova situação.
Quando o filme acaba, o ator continua sendo a mesma pessoa, porém acrescida da experiência de seu trabalho, provavelmente um ator melhor qualificado para outras interpretações. 
Não podemos esperar que o ator (o espírito) continue sua vida pós-drama carregando os cacoetes e o nome do personagem. Ele volta a ser o quem ele é.
Quando desencarnamos, voltamos à nossa consciência de espírito e não olhamos para trás, pois o drama acabou, olhamos para frente, para o que nos reserva o Universo. Por isso ninguém volta para contar nada. É preciso esquecer o que vivemos para poder seguir em frente, senão ficaríamos presos aos personagens que desempenhamos aqui.
Existem atores de cinema que incorporam de tal forma seus personagens de sucesso que gravam novos filmes com o mesmo personagem. Os Rambos da vida, mas nós não precisamos voltar para viver duas ou mais vezes o mesmo papel.
Nossos laços familiares se desfazem e seguimos em frente cercados de nosso grupo espiritual.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Quitando Débitos


A cada noite, ao me deitar, paro para pensar no que fiz durante o dia e o que não tive tempo ou desejo de fazer. Assim faço porque tenho por premissa que minha vida é eterna, que terei tempo e oportunidade para realizar todos os meus sonhos, desejos e ambições.
Claro que estou considerando minha vida de espírito, que realmente é eterno, pois enquanto persona minha vida é limitada e, por decisão do meu Criador, não conheço sua durabilidade.
Sei que existo porque penso, como enunciou René Descartes "Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe" , entretanto não posso me assegurar que amanhecerei todos os dias.
Assim, ao refletir diariamente sobre minha responsabilidade diante de mim, dos outros e do Universo, vejo o quanto deixei para trás. O quanto a dúvida, a falta de convicção, a falta de determinação e conhecimento sobre os fatos, levaram-me a deixar os acontecimentos seguirem sem que eu tenha tomado o firme propósito de realizá-los segundo a minha vontade.
E se não foram realizados segundo o meu desejo, aconteceram sob o comando de outra pessoa, que não necessariamente pensa igual a mim, logo os acontecimentos que fazem parte de minha vida, podem estar realizando outros desejos que não os meus.
Quando vejo minha vida sob esta ótica, percebo que muitas das contradições, desentendimentos e resultados não satisfatórios, acontecem por displicência minha, também, e não só dos outros seres que comigo fazem a caminhada sobre a Terra.
Percebo que tenho desculpas e pedir, perdões a absorver internamente antes de expressar e me esforçar para me manter atento ao que acontece à minha volta, “sempre alerta” como um escoteiro.
Já que a finitude é indiscutível, a impermanência uma lei do Universo, preciso, o quanto antes, quitar minhas pendências não só no âmbito material como também no âmbito das emoções.
A quem devo alguma coisa?
Não, não importa quem me deve, isso é problema deles. Importa a mim o quanto minha consciência está tranquila por ter compartilhado a vida com tantas pessoas e ter dado a elas tantas esperanças, expectativas e ilusões a meu respeito.
O quanto me comprometi ao dizer sim a tudo quanto fui solicitado. Dei conta?
Está bem, não tenho que dar conta de tudo mesmo, mas... consigo ficar em paz comigo se não cumpri o prometido?
Não, creio que não. 
Então preciso, com urgência, fazer um checklist e descobrir o que preciso pôr em dia, resolver e, também, o que preciso encerrar em minha vida para continuar caminhando em paz comigo e com o mundo.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sobre a Compaixão


Tomando como ponto de partida a frase “Bem-aventurados os misericordiosos, porque obterão misericórdia” escrita por Matheus, com base nos ensinamentos de Jesus, ponho-me a pensar no desdobramento desse postulado considerando que o amor contempla diversas maneiras de se expressar.
O texto supracitado me leva a pensar na essência da palavra misericórdia que é um termo amplo que se refere a benevolência, perdão e bondade em uma variedade de contextos éticos, religiosos, sociais e legais, que me faz pensar, também, em indulgência e compaixão.
A expressão misericórdia tem origem latina, é formada pela junção de miserere (ter compaixão) e cordis (coração). "Ter compaixão do coração", significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas.
Portanto é uma atitude que traz em seu âmago a força essencial para chegarmos ao perdão.
Costumamos confundir perdoar com esquecer, mas temos que considerar que o esquecimento é orgânico, acontece mesmo sem nossa vontade, por deficiência física no armazenamento dos registros na memória cerebral. Já o perdão é diferente, pois se trata de dissolver um registro emocional.
Perdoar é tarefa para quem tem, realmente, o desejo firme de se reconciliar com o mundo e consigo mesmo. Entender que a porta é estreita e não dá para prosseguir com cargas pesadas e desnecessárias.
A indulgência (do latim indulgentia, que provém de indulgeo, "para ser gentil"), na visão católica é o perdão da pena temporal devida, para a justiça de Deus, ou seja, do mal causado como consequência do pecado já perdoado.
Uma indulgência oferece ao homem, meios para cumprir uma dívida, durante sua vida na Terra, reparando o mal que tenha sido cometido contra alguém.
Na visão espírita, a indulgência: não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los; jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.
A indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.
No budismo esta virtude é chamada de compaixão, que algumas vezes pensamos que é pena, mas que é a noção clara de que todos os seres têm exatamente o mesmo direito à felicidade.
Compaixão (do latim compassione) não deve ser confundida com empatia. A compaixão frequentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro ser senciente, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem.
Às vezes, nosso senso de preocupação com o outro depende da atitude que ele adota. Se a pessoa age de forma negativa, nosso senso de compaixão desaparece. Mas um senso de compaixão verdadeiro é o que nos leva a ver o outro como tendo exatamente o mesmo direito que nós à felicidade. A compaixão que se assenta no apego não se sustenta. A que se baseia na compreensão da igualdade de todos os seres é desprovida de apego, e é verdadeira.
Qual é o benefício da compaixão? O Dalai Lama responde que ela nos traz força interior, que geralmente nossa mente centra tudo em nós mesmos. Então, todas as experiências negativas, mesmo pequenas, se tornam muito dolorosas, enormes. Mas quando pensamos nos outros, nossa mente se amplia, e os nossos pequenos problemas se tornam realmente pequenos, e as coisas negativas não prejudicam nossa mente.
A prática da compaixão também é imensamente benéfica para a saúde, pois ativa o sistema imunológico. De acordo com a medicina, os que tem mais compaixão - são mais interessados pelos outros - geralmente são mais saudáveis quando comparados com pessoas egoístas. Os egoístas sofrem mais frequentemente de enfartes e outras doenças.
A mente mais egoísta, mais voltada para si mesma é muito ruim para a saúde. A mente mais compassiva, mais voltada para o próximo traz mais tranquilidade, resultando por isso em saúde muito melhor.
Quando vemos os benefícios de uma mente compassiva, e o mal de uma mente não compassiva, é fácil ver a diferença. Então, voluntariamente iremos analisar e mudar cada vez mais a nossa atitude.