Com a
revolução industrial, passou a predominar a crença de que uma
qualidade de vida superior resulta de melhores condições
materiais, acumuladas no decorrer da vida.
Passou-se a
enaltecer valores como conforto, vida regrada , casamento feliz, trabalho
que renda bens materiais, com o prestígio daí resultante.
Esqueceu-se de
que esses valores, ainda que desejáveis, são sempre exteriores, podem
exigir muitos anos de empenho, e nem
sempre são obtidos por meios lícitos. Acarretam uma preocupação
exagerada com o status quo, deixando de lado a vida interior.
Infelizmente,
essa perda só é percebida quando o indivíduo se dá conta do que
deixou passar, por não ter cultivado a sua espiritualidade, ocupando o seu
cérebro com ideias de como ganhar mais dinheiro. Nesse período, em
que ficou mergulhado no mundo exterior, provavelmente, já adquiriu alguma
doença incapacitante.
Viver bem não
é só continuar existindo e o sentido da vida não é
só sobrevivência, mesmo que seja nas melhores
condições materiais.
O caminho
para desenvolver um estilo de
vida saudável consiste em manter a alegria de
viver, criar coisas novas, conviver bem com as pessoas próximas,
com a natureza e com o Universo. Esse estilo de vida vai
determinar um envelhecer bem sucedido e não deve ser confundido
com o cultivo do prazer dos sentidos.
Cuidar de si
é uma arte, um privilégio, com autonomia para não se
sujeitar às conveniências do lazer exterior.
Quando o
indivíduo se dá conta da finitude, pelas
próprias limitações da existência,
deve contentar-se com as suas realizações,
sem reter amarguras e frustrações, bem como raiva e
inveja, sentimentos prenunciadores de doenças.
Como ensinam
as ciências da vida e da saúde e a reflexão filosófica e religiosa, mas também
e - sobretudo a própria experiência cotidiana - morte, finitude e
vulnerabilidade são características intrínsecas dos sistemas vivos, os quais
são sistemas jogados no mundo e situados no tempo, submetidos a um processo
irreversível que inclui o nascer, o crescer, o decair e o morrer.
Trata-se de
um fato incontestável perante nossos sentidos: todos os seres vivos, inclusive
os humanos, morrem. Morrem porque estão vivos, porque como sistemas
irreversíveis são programados biologicamente para morrer e, talvez, devam
morrer para que outros seres da mesma espécie possam vir a ser.
Por isso, não
podemos ter certezas acerca das crenças sobre nossa morte. De fato, a ciência
teve poucas certezas ao longo de sua breve história, sendo que hoje ela não tem
mais nenhuma.
Sendo assim,
vida e morte devem ser consideradas como as duas faces inseparáveis da existência
humana, durante a qual são mediadas pelas situações de finitude chamadas
vulnerabilidade.

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