domingo, 11 de outubro de 2026

De Momentos de Felicidades e Outras Conclusões



 

A vida aqui na Terra tem se revelado um instrumento fantástico de crescimento para eu como ser humano, viajante desse Universo.

Descubro, decorridos muitos anos dessa existência, que levamos muito tempo para descobrir qual a razão de estarmos aqui.

Creio na necessidade de criarmos mecanismos que possibilitassem ao ser humano tomar conhecimento das razões de sua vinda ao plano material ainda em tenra idade, de maneira a possibilitar, aos que chegam, um melhor aproveitamento do tempo que aqui permanecem, dedicando mais atenção ao seu aprimoramento.

A doutrina espírita me trouxe certa tranquilidade de saber que o que não foi possível fazer dessa vez poderá ser complementado noutra, mas constato o desperdício de tempo e energia empregados em tantos processos inúteis, que apenas me referenciam como não proceder novamente, enquanto eu preferiria tê-las empregado em processos criativos de como fazer um bom caminho.

Lamento, mas por outro lado constato que é assim mesmo que acontece com a maioria das pessoas.

A maturidade é algo especial, é gratificante e trás consigo esse gosto sutil de felicidade, de dever cumprido, de quase êxtase. É como um processo de iluminação acontecendo em meio ao agito do trânsito. É algo que se processa internamente, num som que vem crescendo lentamente como o arranjo do Bolero de Ravel, onde os instrumentos de corda e sopro repetem o tema musical em primeiro plano enquanto os de percussão crescem lentamente e ao final da obra assumem o primeiro plano como numa marcha vitoriosa.

Gosto de pensar que ao constatar esse crescimento, sinto-me habilitado a ir mais fundo e a realizar mais e mais, então fico com esse gosto de quero mais no meu peito.

Olho a vida como um presentão de Deus e agradeço por tanta felicidade.

Alguns místicos profetizaram ser essa minha última passagem por esse planeta; o que me parecia um alívio agora me leva a pedir a Deus que me dê mais tempo para que eu possa desfrutar da companhia de meus amigos, de minha família, dessas pessoas que amo tanto e que eu possa ampliar, ainda mais, essa capacidade de doação incondicional.

Setenta e cinco anos passam rápido demais, parece um avião no céu de minha cidade.


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