Tenho
ouvido falar desde criança que devemos pautar nossas atitudes em paradigmas
éticos e que devemos buscar o aprimoramento de nosso caráter para poder
desfrutar de uma vida futura mais feliz.
Também, a par disso, temos a herança judaico-cristã que nos
promete entrar num paraíso se levarmos uma vida sem pecados ou se
arrependermo-nos deles.
Na doutrina espírita ouço que a reforma íntima nos candidata
a uma reencarnação num patamar vibratório superior e que seremos questionados
sobre o que fizemos com nossos talentos nessa encarnação.
Com base nessas informações sempre acreditei que viveria toda
essa minha existência trabalhando para merecer no futuro - após a morte - uma
vida mais tranquila e poder usufruir do resultado de meus esforços enquanto ser
encarnado, ou seja, ingressar no paraíso.
Os evangelistas que escreveram sobre o que Jesus de Nazaré
profetizou, descreveram seus ensinamentos proferidos numa narrativa alegórica
que transmitiam mensagens indiretas, por meio de comparações ou analogias e que
conhecemos por parábolas.
A parábola era a forma que o nazareno se valia para poder
falar para a humanidade daquele e de todos os tempos, pois por serem mensagens
cifradas, poderiam ser interpretadas de acordo com a organização cerebral de
cada um que delas tomasse conhecimento. Como evoluimos, podemos, a cada fase de
nossas vidas, interpretá-las de maneira diferente. Em razão disso seus
ensinamentos não morreram e continuam abrindo horizontes na vida daqueles que
os aceitam como caminhos para a evolução – eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Há poucos dias fui levado a fazer uma reflexão sobre o
significado da porta estreita, pela qual poucos passariam, segundo Jesus.
“Entrai pela porta estreita, porque larga é a
porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz e muitos são os que por
ela entram.
Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado
o caminho que a ela conduz! E quão poucos a encontram! (S. MATEUS, cap. VII,
vv. 13 e 14.) “
As interpretações que eu já havia lido a respeito desses versículos
sempre conduziam a reforçar minhas impressões supracitadas que me deixavam na
condição do burrinho que segue uma cenoura pendurada à sua frente e que nunca
alcança seu objetivo, pois que ele se mantém sempre à frente, assim como o
futuro, que sempre será amanhã.
A vida futura então, a mim, se apresentava como uma miragem.
Isso me levava a aceitar que sempre estaria trabalhando pelo
meu aprimoramento e isso era bom, pois já sabia que nunca me encontraria numa
situação em que por não ter nada a alcançar estaria lançado ao tédio eterno,
que poderia vir a ser meu inferno. Isso seria uma contradição, o caminho com
toda certeza não passa por aí.
Percebi que o versículo 14 dá a pista certa quando diz “quão
pequena é a porta da vida”.
Estimulado pelas palavras de Eckhart Tolle em sua palestra
“Em harmonia com a natureza” pude fazer uma revisão do que eu havia percebido
nos textos anteriores sobre a reforma íntima e que me incomodava. A vida futura
não é algo para se encontrar num dia distante, a vida futura é agora!
A cada mudança que processo em minhas atitudes, em meus
conceitos e em meus relacionamentos eu passo a desfrutar de uma vida nova, pois
que o resultado é sentido imediatamente, surgindo um novo ser como numa nova
encarnação, possibilitando-me múltiplas reencarnações numa só existência,
aproveitando o mesmo corpo e a convivência com os mesmos parceiros de jornada.
A porta estreita e estreita por que poucos acessam de cada
vez, mas que todos um dia acessarão, é o portal que nos dá acesso à vida, que
nos coloca num plano existencial superior aqui e agora.
O paraíso está, portanto, nos esperando, não depois do
desencarne, mas aqui mesmo no plano terreno para vivermos uma vida mais plena,
gratificante e criativa, honrando nossa existência com uma troca amorosa mais
intensa e verdadeira.
domingo, 4 de julho de 2010
Reflexões sobre a vida futura
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Caro irmão, não havia parado para pensar pela òtica colocada da possibilidade de múltiplas encarnações numa ùnica existência. Mas, aí está uma ótima forma de encarar a vida e suas oportunidades, as quais mudam conforme nos transformamos.
ResponderExcluirIrmão Eduardo hahn