quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sobre a Porta Estreita

 

Quão pequena é a porta da vida!

Quão apertado o caminho que a ela conduz! 

 

A porta estreita de que falam Mateus e Lucas é uma alegoria interessante para quando pensamos sobre o futuro que nos espera.

O amanhã é uma questão instigante para todos nós, pois é incerto e completamente envolto em mistério. Ninguém tem a menor ideia do que será.

É bem verdade que quase todos vivemos sem nos preocupar muito com o futuro, acreditando que tudo será perfeito, que teremos um lugar seguro para aportar, enquanto alguns por só pensar no futuro, deixam de viver no presente.

Quase não nos damos conta que o amanhã será consequência do hoje, assim como o hoje é resultado do que vivemos até então.

Por que Jesus disse que a porta é estreita? Esse filtro faz parte de algum pacote que assinamos para assistir e viver as delícias do Planeta Terra?

Por que passar por essa abertura apertada se o Universo é ilimitado?

Para onde vamos afinal?

Por tudo que li, vi, ouvi e percebi não iremos a lugar específico nenhum. Creio que a alegoria da porta estreita é uma referência a como devemos caminhar na vida, subindo degraus continuamente ad infinitum em direção à perfeição.

Nessa passagem precisamos estar sozinhos – sim, na porta estreita não passam dois – porque o desenvolvimento do ser é feito com o aprimoramento das atitudes, consequentemente do caráter, e isto ninguém pode fazer por nós.

Avançamos sozinhos, entretanto crescendo por meio do convívio com a família e com a sociedade que nos cerca e que nos espelham nossa íntima realidade.

O recado do Mestre é para que continuamente caminhemos livres das tormentas do narcisismo e do orgulho que nos inflam o ego e das quimeras que engrossam nossas mentes com cargas emocionais que não podemos carregar para sempre sobre nossos ombros. Assim acrescidos, inflados, não poderemos passar por porta nenhuma.

A dica do Mestre é para aprendermos a caminhar leves, despojados de falsas autoimagens e sentimentos nocivos e predatórios que não nos acrescentam - na realidade - em nada, apenas nos sobrecarregam e tornam nossa caminhada mais lenta, árdua e sofrida como um corredor polonês.

Para seguir em frente pleno de alegria e contentamento o caminho parece ser o da simplicidade eletiva, fazendo sempre aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem conosco.

 

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